Desculpe o transtorno, precisamos falar sobre o lixo. 

Ilustração Paola Saliby para a série #VamosFalarSobreLixo do site Modefica

Essa semana fui buscar retalhos de tecidos em uma confecção em São Gonçalo (pra quem não conhece, São Gonçalo é uma cidade da região metropolitana do Rio) e quando estava voltando  passei por alguns lugares bem precários que o poder público parece que simplesmente esqueceu. O que mais me chamou atenção pelo caminho de volta à Niterói (que é a cidade vizinha, onde fica o ateliê da Lusco Fusco) foi a quantidade de lixo espalhado por todos os lados, pela rua, pelos terrenos – uma quantidade B.I.Z.A.R.R.A – até fogueiras queimando aquelas montanhas de lixo. 

É trabalho do poder público a questão do lixo? É. O governo está deixando muito (!) a desejar quanto a isso? Está. As áreas com classes mais abastadas tem coleta de lixo certinha, diária, mas pelo que vejo as áreas mais humildes não são contempladas com esse “luxo”. E se não rola nem a coleta de lixo comum, não vou nem comentar sobre a coleta seletiva que não existe e é praticamente coisa de outro planeta.

Mas voltando ao caso do lixo espalhado pela cidade: comecei a me questionar ( e já venho pensando e vivenciado essa questão há um bom tempo) sobre a quantidade de lixo que estamos produzindo, que está muito além do que deveríamos – e poderíamos. A gente precisa URGENTEMENTE diminuir a quantidade de lixo que produzimos, ir além de colocar a responsabilidade só nas costas do poder público. 

Vocês tem que concordar comigo que estamos sendo pouco inteligentes quando gastamos tempo, energia e recursos naturais para produzir, transportar e comprar coisas que vão para o lixo. Olha só que coisa irresponsável com a natureza e o nosso dinheiro. 

Mas como a gente vive gerando menos lixo? O quanto isso é possível na prática em uma sociedade onde praticamente tudo vem embalado e o descartável é visto com olhos de normalidade?

O que você está descartando?

Você já parou para pensar no que joga fora em um dia? Presta atenção no dia de hoje. Anota em um caderninho, ou no telefone – as embalagens, copinhos de café, pauzinhos para mexer bebida, guardanapos usados, pacotes de biscoito, sachês de açúcar, plástico para cobrir potinhos na geladeira. Isso vai te dar uma perspectiva do que você está descartando no mundo e vai te ajudar a reconhecer quais são os principais problemas. 

Depois de descobrir o que você mais descarta, procure alternativas: embalagens reutilizáveis ou retornáveis, copos retráteis para ter na bolsa, guardanapos de pano, açucareiro, potinhos com tampa – você pode até montar um quase kit de primeiros socorros pra ter na bolsa, com talheres, guardanapo de pano e copo ou garrafa. Dê adeus de vez aos descartáveis porque eles são absolutamente insustentáveis. 

Comprar a granel também é uma alternativa muito bacana para a redução de lixo. E olha, a gente se surpreende com a quantidade de coisas que dá pra comprar a granel: cereais, sementes, farinhas, temperos de todos os tipos, pão, macarrão, café – e você pode levar suas embalagens para isso: saquinhos de pano para as compras secas, potinhos para os úmidos ou em pó e garrafas para os líquidos. E mesmo que você não consiga comprar tuuuuuuudo a granel, já vai diminuir bastante a quantidade de lixo (e vai aumentar a qualidade do que você está consumindo porque esses produtos não tem tantos conservantes)

Comprar nas feiras diretamente do produtor com seu carrinho, cestinha ou sacola reutilizável também é uma maneira importante de reduzir o lixo, já que muitas vezes as frutas e verduras dos supermercados comuns vêm embaladas, ou nós mesmos colocamos naqueles saquinhos que eles disponibilizam.

Mas se você não tem tempo, ou não tem nenhuma feira perto da sua casa e você só pode comprar no mercado comum, o Superziper deixou um tutorial bem bacana (aqui!) de como fazer sacolinhas de tule para você comprar as hortaliças no mercado e evitar aquelas sacolas plásticas que eles disponibilizam e que sempre acabam no lixo. 

Trocar os absorventes comuns por copinho coletor menstrual é outra alternativa megaaaaaa válida. Sim, eu sei que é meio polêmico e muitas mulheres não querem nem cogitar essa possibilidade, mas os absorventes comuns são feitos de algodão, químicos, embalagens, papel, adesivos – e demoram mais de 100 anos para se decomporem.  É uma questão a se pensar, não?

Ilustração Paola Saliby para a série #VamosFalarSobreLixo do site Modefica

Mas e o lixo orgânico? Não dá pra gente parar de comer, então o que fazer com restos de alimentos?  Aqui no Rio existe uma empresa que se chama Ciclo Orgânico e que faz a coleta do lixo orgânico e transforma em adubo, fechando o ciclo, como eles mesmos dizem. É um serviço pago, mas não é nenhum valor absurdo. Dá também pra fazer uma composteira doméstica, que é super bacana, limpinha e dá pra ter até dentro do apartamento. Aqui tem um vídeo mostrando como ela funciona e site o Composta São Paulo tem também um monte de informações sobre o assunto. Nenhum bicho de sete-cabeças > até eu que sempre achei composteira coisa só dos entendidos estou pensando em colocar no meu apê!

Bora pensar e conversar mais sobre esse assunto?

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